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El Niño Traz Cenário de Extremos: Chuvas Intensas Seguidas de Estiagem Prolongada Ameaçam Abastecimento no ABC

Fenômeno climático de intensidade recorde esperado entre fim de 2026 e início de 2027 pode alterar drasticamente o regime de chuvas

10/09/2026 14h31
Por: Redação - André Luiz Fonte: ANA; Inmet; Inpe; Cemaden; Defesa Civil; Sabesp
El Niño Traz Cenário de Extremos: Chuvas Intensas Seguidas de Estiagem Prolongada Ameaçam Abastecimento no ABC

O Brasil se prepara para enfrentar um dos maiores desafios climáticos da década: o Super El Niño, versão intensificada do fenômeno natural que deve atingir sua força máxima entre o fim deste ano e o início de 2027. Modelos climáticos indicam 96% de probabilidade de que o fenômeno se mantenha entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, com impactos que podem estender-se até o segundo semestre de 2027. Para a Região Metropolitana e o Grande ABC, a preocupação é dupla: alternância entre chuvas torrenciais e períodos prolongados de estiagem, cenário que coloca à prova a infraestrutura de abastecimento e exige planejamento urgente.

O que é o Super El Niño e por que é diferente

O fenômeno climático é natural e cíclico, ocorrendo há milhões de anos, mas o contexto ambiental mudou nas últimas décadas, contribuindo para o aumento da sua frequência e intensidade. Pesquisadores alertam que a combinação entre o fenômeno natural e o aquecimento global pode aumentar a intensidade de chuvas torrenciais, ondas de calor, estiagens prolongadas e processos de erosão costeira.

A intensidade esperada é comparável a eventos históricos devastadores. Em 1877, um El Niño de intensidade excepcional desencadeou uma das maiores catástrofes humanitárias do século XIX, estimando-se que dezenas de milhões de pessoas morreram ao redor do mundo em decorrência de secas, fome e doenças associadas.

Impactos previstos para o Brasil e a Região Metropolitana

A Região Sudeste, onde se localiza o Grande ABC, encontra-se numa zona de transição climática. Segundo especialistas, é difícil prever exatamente como o Super El Niño se manifestará nessa região, que pode sofrer tanto com concentração de chuvas quanto com períodos de estiagem~.

O primeiro boletim oficial sobre o El Niño 2026/2027, elaborado por órgãos como Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Centro Nacional de Monitoramento de Desastres (Cemaden), Agência Nacional de Águas (ANA) e Defesa Civil Nacional, aponta que o aumento da umidade do solo poderá deixar a região mais vulnerável a enchentes caso ocorram episódios de chuva intensa durante a primavera.

Risco de Estiagem Prolongada

Simultaneamente, determinadas regiões podem enfrentar períodos prolongados de estiagem, reduzindo a disponibilidade de água nos reservatórios utilizados para abastecimento e geração hidrelétrica. Para o Grande ABC, que depende do Sistema Integrado Metropolitano (abastecendo Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), o cenário é preocupante.

Durante o El Niño de 2023/2024, considerado forte mas não Super El Niño, o Brasil enfrentou uma das maiores secas das últimas décadas, com 4.748 municípios registrando algum nível de estiagem, sendo quase 1.400 em situação severa ou extrema. Caso o Super El Niño atinja a intensidade prevista, especialistas avaliam que os impactos poderão repetir-se com intensidade semelhante ou superior em determinadas regiões.

Consequências econômicas e sociais

Os efeitos do fenômeno podem acabar aumentando o preço da conta de luz, encarecendo os alimentos e reduzindo a disponibilidade de água. Em períodos de seca prolongada, a produção agrícola pode recuar, enquanto chuvas excessivas podem afetar estradas, moradias e plantações.

A população do ABC enfrenta, portanto, um duplo desafio: preparar-se para possíveis enchentes (especialmente no Sul e em zonas de transição) e, simultaneamente, antecipar-se a períodos de escassez hídrica — cenário que ressalta a importância das práticas de economia de água já hoje.

Necessidade de ação coletiva

Modelos climáticos indicam que o El Niño de 2026 pode atingir uma intensidade comparável a eventos históricos. A diferença fundamental é que hoje temos ciência, tecnologia e capacidade de nos antecipar. A questão é se vamos usá-las.

Para o Grande ABC, isso significa intensificar campanhas de economia hídrica, realizar manutenção preventiva em sistemas de abastecimento, fortalecer estruturas de drenagem e preparar planos de contingência — tanto para períodos de seca quanto de chuvas intensas.

 

Serviço

Órgãos de monitoramento e informação:
• Agência Nacional de Águas (ANA): www.ana.gov.br
• Centro Nacional de Monitoramento de Desastres (Cemaden): www.cemaden.gov.br
• Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet): www.inmet.gov.br
• Sabesp — 0800 055 0195 (ligação gratuita)

Dica prática: Manter as práticas de economia de água recomendadas pela Sabesp é essencial. Reservatórios abastecidos e consumo consciente ampliam a margem de segurança durante períodos de estiagem causados pelo Super El Niño.

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